Aula inaugural · Lideranças municipais · Eleições de 2024

Quase empate: 44 prefeitos ficaram e 56 chegaram, a cada 100 cidades

O empate esconde diferenças: o Sul renova mais que o Norte, e quem fica costuma vencer com folga. Vocês vão governar ou assessorar uma das 5.553 prefeituras retratadas aqui. Cada um conhece bem o próprio município. Este painel mostra o que aconteceu nos outros e convida a turma a perguntar por que uns mudam e outros permanecem.

Pergunta 1 · Quanto o comando das prefeituras mudou em 2024?

44% mantiveram o prefeito, 51% trocaram prefeito e vice, e 4% ficaram no meio-termo: prefeito novo com o vice de antes.

Prefeitos eleitos em 2024 (n = 5.553), conforme a declaração de reeleição ao TSE do prefeito e do vice da chapa vencedora

Para a turma: no seu município, a eleição de 2024 trouxe continuidade ou mudança? Você esperava que o Brasil estivesse tão perto do meio a meio?
Pergunta 2 · O equilíbrio é o mesmo em todo o país?

Não. O Sul é a região que mais renova: lá só 37% dos prefeitos foram reeleitos, contra 51% no Norte.

% de prefeitos reeleitos por UF. A linha tracejada marca a média do Brasil (44,5%). Os estados do Sul aparecem em azul.

Para a turma: procure seu estado no gráfico. Ele fica acima ou abaixo da média? O que, na política local, poderia explicar essa posição?
Pergunta 3 · O tamanho do município muda o equilíbrio?

O tamanho da cidade não explica o equilíbrio: a continuidade fica perto de 44% do menor ao maior município.

% de prefeitos reeleitos por faixa de eleitorado (votos válidos para prefeito no turno decisivo). A linha tracejada marca a média do Brasil (44,5%).

Para a turma: nas cidades grandes, que costumam ter mais candidatos, mais imprensa e segundo turno, a disputa é mais aberta. Isso favorece ou dificulta quem governa?
Pergunta 4 · Quem permanece vence de que forma?

Quem fica, fica com folga: entre os que venceram com 70% a 99% dos votos, 3 em cada 4 foram reeleitos.

% de prefeitos reeleitos em cada faixa de votação da chapa vencedora (% dos votos válidos no turno decisivo). n = 5.544, sem 9 chapas sem percentual.

Para a turma: votações tão altas indicam boa avaliação da gestão, falta de oposição organizada ou o peso da máquina pública? Que dado vocês precisariam para separar essas hipóteses?
Pergunta 5 · De onde vêm os que chegam?

A maioria dos que chegam vem de fora da política declarada: só 8% eram vereadores, deputados ou ex-prefeitos voltando ao cargo.

% dos novos prefeitos (não reeleitos, n = 3.084) por ocupação declarada no registro da candidatura, agrupada pelo autor. "Outras ocupações" (25%) fica fora do ranking.

Para a turma: "novo" no cargo significa "novo" na política? Quantos dos que chegaram já eram vice, secretários ou aliados de quem saiu?
Conclusão · O que pode estar por trás do equilíbrio

Continuidade e renovação quase empatam. O desempate varia por território e acompanha a força nas urnas.

Nesta base, a permanência anda junto com votações altas e varia mais por região do que pelo porte da cidade. Ela mostra onde e como, mas não diz por quê. Três hipóteses, que a base não permite testar, merecem o debate da turma:

  1. Limite de mandatos. Prefeitos no segundo mandato não podiam concorrer. Parte da "renovação" é obrigatória, e a base não informa quantos casos são assim.
  2. Renovação de rosto ou de grupo? Um prefeito novo pode ser o sucessor escolhido por quem saiu. Há sinais disso na base: em 232 municípios o novo prefeito tem um vice reeleito, e 73 novos prefeitos são ex-prefeitos voltando ao cargo.
  3. Avaliação da gestão. Votações acima de 70% sugerem aprovação, mas também podem refletir pouca concorrência. Comparar com indicadores de gestão é o próximo passo.
Para levar ao seu município: onde ele está nesse mapa? E quem chegou em 2024 representa uma renovação de rosto ou de grupo?